01 fevereiro, 2017

O resumo de uma gravidez vegana e predominantemente crua

1º E 2º TRIMESTRE DE UMA GRAVIDEZ VEGANA E PREDOMINANTEMENTE CRUA

Sintomas característicos desde o início da gravidez:

- Náuseas: Nunca tive as típicas náuseas e enjoos das grávidas. O que sentia era mais um mal-estar muito leve (mas quase permanente) durante os primeiros 3 meses de gravidez, que se intensificava sempre pelas 18h, e piorava à noite ou sempre que estava em andamento, no carro. Nessas ocasiões, o que mais me ajudava era comer raíz de gengibre laminada (crua) ou beber água com sumo de limão e gengibre, que a partir de uma certa altura começou a andar comigo sempre que saía de casa. Saindo do primeiro trimestre, o mal-estar parou como por magia.

- Dores de cabeça hormonais: Foram bastante comuns nas primeiras semanas de gravidez. O mesmo aconteceu no início do 2 º trimestre. Mais uma vez, o que mais me ajudou a combatê-las foi comer raiz de gengibre cru, laminado.

- Pele: Esta gravidez foi claramente marcada por uma revolução em termos de pele. Há muita conversa sobre o brilho típico da gravidez; A pele luminosa e a beleza das mulheres neste estágio de vida (tal como eu própria falei no final deste ano), mas nesta gravidez senti exatamente o oposto. Mesmo nas primeiras semanas parece que alguém me roubou toda a hidratação, brilho e luminosidade da pele do rosto. Em vez disso, instalou-se uma pele com algumas borbulhas e vermelhidão, que se sentia simultaneamente seca, oleosa, obstruída e muito reativa e sensível - uma surpresa desagradável, sem dúvida. O mesmo posso dizer do cabelo - de repente senti-o mais seco e muito menos volumosos e brilhante que o habitual. Só na semana 17 comecei a recuperar novamente a pele mais limpa (com muito menos espinhas e manchas vermelhas), mas ainda assim continuava a ser algo muito diferente do que era antes. Seja como for, as melhorias foram obtidas com o uso de água de rosas, óleo de caroço de alperce, óleo de jojoba e jasmim, e procedimentos curtos com o derma-roller, que continuei a manter. A pele do corpo / barriga não teve quaisquer alterações significativas, ficando apenas ligeiramente mais seca.

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Já não usava praticamente nada de maquilhagem há muito tempo, mas desde o início da gravidez gradualmente comecei a reagir mal ao pouco que ainda usava, particularmente ao corrector de olheiras / manchas, que foi o último item de cosméticos mais significativo que deixei. Desde que isso aconteceu, deixei a pele respirar e passei a usar apenas lápis de olhos/sobrancelhas e algo nos lábios. Nos dias em que eu queria ter mais definição no rosto, continuei a aplicar o meu bronzeador caseiro/blush de cacau cru.

- Fome: Esta foi uma grande dificuldade desde o início da gravidez, o que me obrigou a repensar as quantidades, refeições e proporção de alimentos crus e coznhados que tinha na alimentção. Fiz várias mudanças diferentes para descobrir o que funcionava bem para mim, e realmente não era fácil lidar com um metabolismo tão rápido, que me deixava muito fome a cada 1h30-2h (independentemente das quantidades ingeridas). Comia cerca de 3000kcal diariamente (com grande predominância dos alimentos crus), e mesmo assim, a saciedade continuava a ser um problema nos dias em que a comida era totalmente crua. Então percebi rapidamente que não seria sustentável (para mim) continuar a manter uma alimentação inteiramente crua e aumentei a percentagem de alimentos cozinhados simples - foi uma excelente decisão que me permitiu passar confortavelmente umas 3h-4h sem comer entre as refeições. As batatas cozidas, as batatas assadas, os vegetais ligeiramente salteados (sem gordura) ou cozidos ao vapor, o arroz basmati, lentilhas cozidas, quinoa e outros alimentos integrais preparados de forma muito simples, foram uma grande ajuda para manter a saciedade e passar a noite confortavelmente, sem ter que sair da cama para comer. Embora já não comia feijão durante anos, voltei a incluir algum feijão manteiga, não mais do que 1-2 vezes por semana - outro alimento que especialmente no 1º trimestre me ajudou muito a manter a saciedade e o peso (porque, ao contrário de outras mulheres grávidas, o problema da mulher vegana nos primeiros meses de gravidez não é o excesso de peso, mas o aumento de peso - pelo menos foi esse o meu caso nos primeiros 4 meses). Tive na mesma dias em que comi tudo cru. Da mesma forma, tive dias em que incluía uma porção de algo cozinhado com salada (ao almoço e jantar), mantendo o resto do dia cru. Comer tudo cru raramente funcionava bem a partir do segundo mês de gravidez, porque me deixava muito rapidamente com sensação de fome, ao ponto de ter que comer mais duas vezes durante a noite (uma por volta de meia-noite, e outra pelas 3h da manhã) - coisa que nunca me aconteceu com a alimentação crua antes de engravidar.


Porque é que a alimentação quase 100% crua funcionava tão bem para mim antes e não tão bem durante a gravidez? 


Por várias razões. Para começar, a gravidez tem necessidades nutricionais e exigências energéticas muito diferentes, e a frutas e vegetais convencionais nem sempre conseguem cobrir todas essas necessidades; O desgaste calórico é diferente - estamos literalmente a criar a vida, o que é uma tarefa que consome muita energia. Não sei como seria a experiência com uma alimentação crudívora em que se usam frutas e vegetais 100% biológicos (e provenientes de um local com solos muito rico, algo que existe em poucas partes do mundo neste momento). Provavelmente a saciedade seria diferente, uma vez que os alimentos orgânicos são mais densos do ponto de vista nutricional em comparação com os convencionais. No entanto, sei para uma grávida que não vive num país tropical, onde este tipo e variedade de frutas e legumes abundam a preços muito acessíveis, nos restantes países pode ser muito desafiante ter uma gravidez totalmente crua confortavelmente e durante toda a gravidez. Acredito que essas exceções devem existir, mas só posso falar da minha experiência e claramente, apenas frutos secos e sementes crus e frutas e legumes convencionais (e uma pequena percentagem de alimentos 100% orgânicos) simplesmente não estava a funcionar bem para mim a partir do momento em que engravidei. A alimentação predominantemente crua combinada com cozinhados muito simples de origem vegetal (feitos sem óleos extraídos) realmente fez a diferença e tornou tudo muito mais fácil para mim. A nível de gorduras, desde o início da gravidez aumentei um pouco o meu consumo de fontes de gordura, incluindo um pouco mais de sementes, frutos secos (especialmente castanhas do Brasil), abacates e, ocasionalmente, leite de coco.


- Nariz obstruído: Ainda no primeiro mês de gravidez notei que tinha permanentemente o nariz entupido - um problema frequente nas mulheres grávidas, conhecido como rinite gestacional. Muitas mulheres notam isso a partir do segundo mês de gravidez. Para mim aconteceu no primeiro. A fonte dessa obstrução são os níveis mais altos de estrogénio que circulam pelo corpo nesta fase. Outra explicação pode ser o maior volume de sangue durante a gravidez e o inchaço das veias na parede do nariz. A solução que eu encontrei e que funcionou maravilhosamente foi continuar a fazer 1-2 limpezas Neti (irrigação do nariz com solução salina) - uma da manhã e outra à noite, e assim o problema ficou completamente controlado. Nariz desobstruído a tempo inteiro e adeus dores de cabeça!
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- Aversões alimentares: Inicialmente tive uma enorme dificuldade de continuar a comer vegetais - problema esse que durou quase todo o primeiro trimestre. Eu sou uma pessoa que em circunstâncias normais devora alface, espinafre e todos os tipos de vegetais crus - seja em salada, batido ou sumo verde. Mas esta gravidez criou-me mesmo uma aversão aos vegetais. Para mim isso foi um pouco preocupante,  porque conheço a sua importância, especialmente para uma pessoa com alimentação vegana e especialmente para uma mulher grávida. Por esta razão, durante os primeiros três meses houve várias vezes que comi as saladas algo forçada. Não me arrependo de ter feito isso porque, apesar da dificuldade e desconforto que isso causava inicialmente, assim descobri o que estava a tolerar e o que definitivamente já não conseguia comer. As alfaces e os vegetais crus no geral eram os alimentos que me causavam a maior aversão - tanto em saladas como em sumo. No entanto, vi que continuava a comer muito bem saladas de pepinos, tomates, cenoura ralada, cebola, rúcula selvagem e limão. Resultado? Foi o que comi a nível de vegetais crus e fruta não doce durante bastante tempo. No que diz respeito aos sumos de vegetais, apenas tolerava sumo de cenoura e sumo de pepino, aipo, limão e gengibre, portanto foi o que bebi durante os dois primeiros trimestres. De resto, comia muito bem todo o tipo de vegetais muito ligeiramente "salteados" na sua própria água (sem gorduras) e preparava isso com muita frequência.  Assim que entrei no 4º mês de gravidez, felizmente recuperei o meu apetite por saladas e sumos de vegetais variados, e foi quando comecei a diversificar ainda mais.

- Dormir: Dormir ou melhor, a sonolência, foi um problema durante uma boa parte do 1º trimestre. Assim que pensei que finalmente me tinha livrado disso, voltou a ser uma das dificuldades no segundo trimestre. Apesar de tudo, a  fadiga não era algo que sentia todos os dias, mas algo que coincidia com as fases de maior crescimento do bebé.

            
- Circulação e oxigenação: Foi ainda no primeiro trimestre que comecei a sentir as primeiras mudanças significativas a nível de circulação e oxigenação. Ficava sem fôlego com mais facilidade e as quebras de tensão ("ver estrelas" ou "chegar a ver tudo preto") que duram alguns segundos chegaram a acontecer umas quantas vezes no início da gravidez, apesar de que sempre mantive os bons níveis de ferro sem problema. Descobri que curiosamente as quebras de tensão deixavam de aparecer sempre que comia levedura nutricional durante vários dias seguidos (que simultaneamente melhora também a condição da pele). É um 2 em 1 interessante!

- Saúde Oral - O segundo trimestre é talvez o melhor momento para a grávida ir ao dentista, uma vez que devido às grandes alterações hormonais, esta é uma fase onde a probabilidade de aparecimento de cáries aumenta. No entanto, o meu dentista disse que os dentes estavam bem e que nem a limpeza se justificava, porque parecia que eu já tinha feito uma muito recentemente (coisa que já agora não fazia há quase 3 anos). Para mim, esta é mais uma evidência da eficácia do estilo de vida (crudi)vegano, bem como da limpeza e higiene oral de Kriya Yoga, que eu pratico regularmente desde que estou neste estilo de vida (limpeza regular da língua várias vezes ao dia; gargarejar com água e sal marinho; limpeza regular com bicarbonato de sódio; oil pulling com óleo de coco; uso de óleos essenciais e pastas de dentes naturais, etc.)


- Vontades de grávida - As vontades estranhas e os impulsos fortes para comer certos alimentos são um facto. A minha gravidez foi marcada desde o início pelo forte desejo de comer coisas doces - tanto aquelas que são ricas em água (frutas), como as mais consistente e algo enjoativas (como bananas e bolos veganos). Se há um sabor que este bebé definitivamente já conhece bem é o doce, porque a quantidade de alimentos doces (principalmente frutas) que comi durante toda a gravidez foi absolutamente absurda. À fruta inteira posso adicionar também os litros de sumo de laranja; os sumos de uva; alguns bolos veganos; alguns bolos crus e os habituais batidos, que nunca faltaram na minha alimentação. Em termos de alimentos específicos, senti uma grande vontade de comer nectarinas, melancias, physalis, sumos de uva, batidos com alfarroba e bananas; batatas assadas sem gordura (temperadas apenas com alho em pó e pimenta preta); ​​batata doce, chips de couve kale com levedura nutricional (assados no forno) e toneladas de espinafre muito leve cozido a vapor (1 min ou menos) ,temperado com alho e limão.


- Peso e alterações do corpo: Com 17 semanas de gravidez as únicas mudanças que notei no meu corpo estavam todas localizadas na barriga e um pouco n zona das ancas. Durante os primeiros 3 meses o meu peso permaneceu o mesmo. Com 4 meses e 1 semana aumentou no total uns 2,5kg. Visualmente, continuei a sentir-me igual, excepto na barriga. Embora em 4 meses de gravidez o peso não se tivesse alterado muito, a circunferência da minha cintura aumentou com os espantosos 20 cm (tinha uma cintura de 65 cm antes de engravidar, e no 4 º mês já era de 85m).


4º e 5º MÊS DE GRAVIDEZ

- O que mudou desde o primeiro trimestre: Em muita coisa, senti-me melhor durante o 4 º e 5 º mês, do que nos primeiros três meses de gravidez. Desde o início do 4º mês a minha energia habitual voltou, sentia maior equilíbrio hormonal, as dores de cabeça desapareceram, já estava a comer novamente os vegetais crus que tanto adorava antes de engravidar, e finalmente vi-me livre do acne hormonal que tinha aparecido no primeiro trimestre.

- Peso: Até ao final do 5º mês aumentei uns 4,5kg  no total. O perímetro abdominal aumentou com 22cm desde o início da gravidez, ficando em 87-88cm. Apesar de tudo sentia que o meu corpo ainda estava quase como antes de engravidar (porque ainda usava 95% da roupa tinha). A excepção eram a cintura e pernas, onde notava as maiores mudanças.


- Vontades de grávida: Durante o 4 º e 5 º mês não tive desejos estranhos. Atribuo isso também à alimentação crua e vegan muito abundante e variada que estava a manter. Funciona assim para qualquer pessoa e as grávidas não são nenhuma excepção - quando baseamos a nossa alimentação numa boa quantidade de fruta, vegetais, alimentos integrais e algumas gorduras em estado natural, temos um bom equilíbrio nutricional e a vontade de comer alimentos processados simplesmente não aparece. Basta nutrir o nosso corpo a tempo inteiro com tudo o que ele realmente precisa, para não ter que andar à procura de mais nada..


- Aversões alimentares e mudanças no paladar: Eu nunca tolerei bem leite de amêndoa, nunca gostei do sabor e, portanto, não o consumia ...até engravidar. Realmente uma gravidez altera o paladar bastante e para mim esta foi uma das mudanças. O leite de amêndoa incluído em batidos com tâmaras transformou-se na minha solução perfeita para as alturas em que me apetecia algo um pouco mais doce que o habitual. No resto do tempo, chegava-me perfeitamente a fruta, como mencionei anteriormente. Já os vegetais crus, que foram uma das minhas maiores aversões durante o primeiro trimestre, voltaram em grande para grande alegria e alívio meu.


- O sexo do bebé - O 4 º mês trouxe-nos também essa notícia. É uma menina!


- Pele: Uma das grandes mudanças que ocorreu no 4 º e 5 º mês foi a eliminação do acne hormonal, que me apareceu no início desta gravidez e que já não tinha desde os meus 13-14 anos de idade. O problema não desapareceu por si só, para o efeito utilizei a urinoterapia, como já expliquei em grande pormenor no Diário Vitaliza. Apesar de soar muito estranho (e para muitos até nojento), naturalmente isto não foi nada inventado por mim, trata-se de uma terapia que já tem sido usada com muito sucesso para eliminar uma vasta gama de problemas desde a antiguidade.  No passado eu já tinha usado a urinoterapia para eliminar dores nos joelhos e agora, mais uma vez, fiquei agradavelmente surpreendida com a sua eficácia e velocidade de ação na eliminação do acne hormonal.


- Preferências alimentares: Sem dúvida, a fruta. Desde o início da gravidez esta sempre foi a minha primeira escolha de alimento durante o dia e era o que devorava ​​com mais apetite e variedade: melões, melancias, nectarinas, frutos silvestres frescos e misturas congeladas, bananas, ameixas, mangas, uvas, laranjas, maçãs, diospiros, romãs...a lista é interminável. O consumo de vegetais de folhas verdes e de algas marinhas aumentou significativamente no 4 º e 5 º mês. A nível de cozinhados, o meu prato preferido dessa altura foi a jardineira de legumes: batatas em cubos, ervilhas, cenouras, feijão verde, por vezes milho doce - tudo "salteado" sem gorduras na panela, e temperado com levedura nutricional.

- Ecografia morfológica do segundo trimestre: Tudo normal.

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- Dificuldades no 4º e 5º mês - Tive um ou outro dia  em que senti as pernas a inchar um pouco e a ficar particularmente duros. Felizmente, esse problema nunca durou mais do que 10-12h porque qualquer mal-estar desaparecia com a escovagem da pele à seco, com a prática de Yoga, com caminhadas, duches contrastantes e massagens. 

6º MÊS E PRIMEIRA METADE DO 7º MÊS DE GRAVIDEZ 
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 O que mudou: O que mudou foi mais a nível interno do que propriamente na minha aparência. A nível de aspeto físico, em Outubro já tinha 6kg a mais desde o início da gravidez e já ninguém ficava na dúvida se se tratava de uma gravidez ou de simples gordura localizada/aumento de peso. A barriguinha proeminente já não deixava grande margem para dúvidas que era uma gravidez. 

- Peso: No 7º mês já tinha aumentado quse 7kg desde o início da gravidez e a circunferência abdominal era de 93cm.  

- Desejos de grávida: Continuou a manter-se a vontade de comer coisas doces e felizmente a fruta em abundância sempre resolveu o problema. 

O meu batido preferido do 6º mês de gravidez:
Bananas, mistura de frutos silvestres congelados, 1-2 colheres de sopa de sementes de  cânhamo em pó, 1 mão grande de folhas de espinafre bebé, água - tudo misturado no liquidificador.

O meu batido preferido do 7º mês:
Bananas, diospiros, spirulina, água - tudo misturado no liquidificador.
Nessa altura continuava a comer tudo cru durante o dia, incluindo apenas uma refeição cozinhada à noite (normalmente salada grande e variada e algo cozinhado de prigem vegetal). 

- Pele: Desde o início da gravidez o meu principal problema sempre foi o acne hormonal - coisa que consegui controlar completamente com a ajuda da urinoterapia. Ainda à respeito da pele, muita gente estava sempre a perguntar-me se fiquei com estrias no corpo ou se usava algo específico para prevenir este problema. A resposta é não. A partir do 6º mês de gravidez e apenas quando sentia a pele um pouco mais seca (coisa que não acontecia mais do que uma vez por semana), costumava usar o meu creme de argan (http://www.vidaemestadocru.com/p/sobre- the-Products .html). Tirando isso, até ao final da gravidez nunca usei nada específico para estrias. Trata-se de um problema que tem a ver com o grau de elasticidade da pele e é em grande parte também hereditário. Eu sempre fiz algum tipo de exercício e abdominais; sepre tive pele normal e as mulheres da minha família nunca desenvolveram estrias. Felizmente, quanto à isso, tive a mesma sorte.

- Prova de glicémia: No 7 º mês fiz também a prova de glicémia que as grávidas costumam fazer nessa fase. O teste consiste em medir os níveis de açúcar em jejum e depois beber um xarope com cerca de 75g de açúca (1h depois de beber o xarope e 2h após o xarope). Assim, são obtidos três valores que são avaliados. O objetivo é ver de que forma a quantidade de açúcar é assimilada pelo nosso organismo, de modo a excluir a possibilidade da grávida estar com diabetes gestacional. Escusado será dizer que o tema doz açúcares é algo que qualquer mulher vegana se vê obrigada a discutir constantemente, especialmente na gravidez quando toda a gente tenta avisar-nos sobre os supostos perigos de comer tanta fruta. Tal como eu sempre tentei deixar claro, nem todo o açúcar é igual, portanto escusado será meter a fruta e o açúcar processado no mesmo saco. Independentemente dos quilos de fruta que podemos comer por dia, desde que esse açúcar seja proveniente de fruta e desde que tenhamos uma alientação de origem vegetal baixa em gorduras, os níveis de açúcar nunca são um problema. Atrevo-me não só a afirmar isso, como a ir ainda mais longe: mesmo que existam problemas com os níveis de açúcar, adotar uma alimentação 100% vegana, baixa em gorduras e muito rica em fruta e vegetais crus é precisamente a via que nos permite normalizar esses níveis de açúcar. Resumindo e concluindo, os resultados da análise estavam completamente normais.



- Dificuldades: 
As principais dificuldades encontradas no 6º e 7º mês referem-se à circulação, mobilidade e dor nas costas. Tal como acontece com a maioria das mulheres grávidas, eu não fui excepção e também senti grandes mudanças no sistema circulatório. No geral, tive poucos dias em que me senti inchada, mas ainda assim tive momentos em que as pernas inchavam literalmente do nada e depois voltavm ao normal també do nada. Por vezes era difícil encontrar uma boa posição para dormir ou uma bo maneira de me virar e levantar da cama sem ajuda, sem esquecer que quase todas as noites ficava com dor nas costas (entre o pescoço, omoplatas e parte média da coluna), que só desapareciam na manhã seguinte, com massagem, ou com aplicação de calor. Tirando isso, o 6º e o 7º mês foram os meses que senti a passar mais rapidamente.  



8º MÊS DE GRAVIDEZ 
- O que mudou: Muito mais do que a parte física, o que mudou no 8º mês foi a percepção e consciência que tinha desta gravidez. Pode parecer estranho dizer isso, porque carregar um bebé durante sete meses é mais do que tempo suficiente para que o sinal "Estou grávida" possa chegar ao nosso cérebro, mas parece que só no 8º mês esta frase assumiu um novo significado para mim. Muito mais do que olhar para o corpo e vê-lo diferente e muito mais do que ver a data prevista de parto a aproximar-se cada vez mais, este mês trouxe-me a noção clara de que estávamos prestes a aumentar a nossa família. Levou-me a pensar mais vezes nas novas rotinas que seria importante criar; no ritmo totalmente diferente que provavelmente vamos passar a ter; nas tradições familiares;  nas abordagens que queremos seguir a nível de educação, e até mesmo em algo tão "fútil" como tentar imaginar como seria o seu rosto - foram em grande parte estes os pensamentos que ocuparam a nossa cabeça nas semanas do 8º mês de gravidez. Devido ao trabalho que tenho, acompanho pessoas de três países diferentes e entre essas, acabo inevitavelmente por contatar também com grávidas. O que observo na maioria delas é uma grande preocupação com muitos aspectos relacionados à gravidez - o que comer, o que beber, o que usar e não usar, se terão estrias ou não, se vão ganhar imenso peso ou não, se o parto será muito doloroso, etc, etc. Tipicamente, a maior parte das preocupações giram à volta do que acontece antes de ter a criança nos braços. Sem querer menosprezar a fase inicial, no nosso caso o foco tem sido no que vem depois da gravidez e do parto. Usei uma boa parte dos 8 meses de gravidez apenas para investigar melhor todo o que vem após a gravidez. E embora nenhum livro ou manual possa preparar-nos para o que é ter um filho, encontrei alguns que realmente contribuíram muito para aumentar os conhecimentos que já tinha, e que me permitiram abrir os, deixando no ar algumas questões que certamente eu e o meu marido vamos querer explorar melhor no futuro. Deixo aqui alguns desses livros, caso possam ser úteis para mais alguém:

- Creating Healthy Children – Karen Ranzi      

- Conscious Parenting – The holistic guide to raising and nourishing healthy, happy children – Dr. Gabriel Cousens & Leah Lynn
- The Continuum Concept: In Search Of Happiness Lost (Classics in Child Development) – Jean Liedloff
- Raising Vegan Children in a non-vegan world – Erin Pavlina
Meu FilhoMeu Tesouro - Benjamin Spock

- Peso: Perto do final do 8º mês já tinha aumentado cerca de 8kg desde o início da gravidez e tinha uma circunferência da cintura de 97cm. A bebé tinha um peso, comprimento crânio-caudal e no geral medidas completamente normais, o que claramente surpreendeu alguns profissionais da saúde, que pensavam que a alimentação vegana e predominantemente crua era de alguma forma insuficiente ou com falta de nutrientes essenciais para o desenvolvimento normal de um bebé. A realidade é que desde que se tenha uma alimentação abundante, variada e equilibrada, há muitos exemplos de mães veganas que provam o oposto e desafiam todos os mitos alimentares que ainda reinam na sociedade. Pela minha experiência, uma gravidez vegana permite-nos:
1) Aumentar de peso de forma normal e equilibrada, sem grandes excessos;
2) Ter um bebé com aumento de peso e evolução completamente normais;
3) Embora cada caso seja um caso, com uma alimentação 100% vegana e predominantemente crua eu consegui ter uma gravidez sem qualquer tipo de problemas com défices de ferro ou anemia, diabetes gestacional, infecções do trato urinário, alterações na tensão ou outros desequilíbrios.

- Dificuldades e desejos de grávida: No 8º mês não notei quaisquer desejos específicos. Nessa altura o problema já era querer comer o que sempre gostei de comer e querer manter as mesmas quantidades, sem sucesso. De repente, o meu estômago parecia ter encolhido significativaente, conseguindo encaixar apenas metade do que costumava comer antes em termos de quantidades e calorias. A minha estratégia foi começar  comer muito menos, mas com mais frequência.


- O que adorei comer no 8º mês: Quilos de uvas; maçãs; A combinação de manga, bananas e mistura de frutos silvestres congeladas; Diospiros; Todos os tipos de verduras e legumes da época.


- Pele: Já mencionei que os primeiros dois trimestres desta gravidez foram algo turbulentos para a minha pele, que no geral nunca me deu muitas razões de queixa. As típicas alterações hormonais provocadas pela gravidez e o facto de estar à espera de uma menina têm destas coisas. Ainda no início do segundo trimestre a situação ficou controlada, assim que comecei a recorrer a urinoterapia (topicamente). No entanto, o passo extra que vou mencionar agora melhorou tudo ainda mais. 




Refiro-me ao uso de um tónico de ácido glicólico na pele, que faz um excelente trabalho na hora de esfoliar de forma natural e eliminar manchas, marcas, impurezas que se encontram nas camadas subcutâneas, bem como retirar outras obstruções, deixando a pele limpa e mais luminosa. Contrariamente ao ácido salicílico, que não deve ser usado nem na gravidez, nem na amamentação, o ácido glicólico é uma aposta segura, mesmo para as futuras mamãs. Eu optei pela marca Reviva Labs (sem parabenos, sem ingredientes de origem animal e não testado em animais), e não podia estar mais satisfeita com o resultado: http://www.iherb.com/Reviva-Labs-Glycolic-Acid-Facial-Toner-4-fl-oz-118-ml/5068. Até ao final da grvidez a combinação de urinoterapia e a aplicação do tónico de ácido glicólico funcionaram muito bem para mim. Este produto deve ser usado com regularidade, diariamente. Depois de uma fase inicial de limpeza, em que a pele piora um pouco porque muitas impurezas são trazidas à superfície, a seguir fica limpa, luminosa e com brilho natural. Recomendo vivamente!  



- Dificuldades - A maior dificuldade física que senti no 8 º mês foi a dor nas costas, que estava sempre a incomodar a partir do final da tarde e durante toda a noite. Custava baixar-me, passar muitas horas a pé ou muitas horas sentada, na mesma posição. Tinha dias em que a barriga e as pernas algo inchadas me incomodavam mais do que noutros, além das típicas contrações de Braxton-Hicks, que começaram a aparecer com frequência. No geral, foi um mês em que me senti com bons níveis de energia. Comecei a acordar 1-2h mais cedo que o habitual para mim, mas tinha uma necessidade de fazer uma sesta a meio da manhã ou da tarde.

9º E 10º MÊS DE GRAVIDEZ


Essa foi sem dúvida a parte mais demorada e desafiante de toda a gravidez - tanto do ponto de vista físico, como psicológico. Durante o 9º mês ganhei mais 2kg, o que no total me deixou com um aumento de 10kg desde o início da gravidez. Apesar de que no 10º mês eu não aumentei mais de peso (e até perdi algum), a bebé continuava a aumentar, portanto tudo começou a pesar ainda mais, acentuando o desconforto físico e cansaço mental. Passei uma boa parte desses dois meses a descansar e a dormir muitas horas por dia. O apetite diminuiu claramente e com ele dminuiu também a quantidade de comida ingerida. A vontade de beber mais batidos e de comer apenas fruta e vegetais de folhas verdes tenras aumentou ainda mais, enquanto o desejo de comer comida cozinhada diminuiu significativamente. Aumentaram as contracções Braxton-Hicks, a pressão na zona pélvica, as cólicas (semelhantes com as que se sentem uns dias antes de aparecer a menstruação)...e a impaciência, porque além desses sintomas nada mais indicava que havia um parto a aproximar-se. 
Aproximadamente desde a semana 36 fui levada a pensar que hoje em dia é muito "normal" os bebés nascerem um pouco antes do tempo. Essa ideia foi-me repetida por profissionais de saúde tantas vezes, que de certa forma eu própria criei essa expectativa. Já com mais de 39 semanas de gravidez e um parto que ainda não se realizou, deu para ver que este não será o meu caso. Resta aguardar mais um pouco com calma e paciência, esperando que este capítulo possa ser fechado da mesma forma que foi começado: com energia, boa disposição e, de preferência, da forma mais natural possível!              


Nota: Esta tem sido apenas a minha experiência com uma gravidez (crudi)vegana. Cada pessoa e cada gravidez podem ser totalmente diferentes, e essas diferenças individuais devem ser tidas sempre em consideração. 
Esta gravidez (crudi)vegana foi descrita em pormenor nos Diários Vitaliza de 2016. Para mais informações, enviar e-mail para diariovitaliza@gmail.com 

01 outubro, 2016

A Comida e o segredo das Doenças


“A saúde passa necessariamente pelo estômago – esta foi uma das ideias que foi esclarecida e discutida várias vezes durante o dia de hoje. 

Enquanto seres vivos, estamos em constante interacção com o meio que nos rodeia. Tendo ou não noção disso, estamos em permanente processo de «regeneração» e a «degradação». Estamos essencialmente a reconstruir-nos continuamente e toda a nossa existência pode ser encerrada entre estes dois processos. Para que a energia possa fluir livremente pelo nosso corpo, precisamos de receber, assimilar e eliminar. Duas das coisas mais importantes que recebemos, das quais somos feitos e que nos movem na vida são a energia e os alimentos que consumimos.

Vamos simplificar tudo: a vida tem leis bastante básicas. Se saltarmos do 10º andar, independentemente de sermos ou não boa pessoa, vamos morrer. Da mesma forma, quando nos alimentamos com a comida adequada para nós, somos saudáveis, energéticos e vitalizados. E pelo contrário – quando comemos de forma inadequada e não consumimos alimentos vivos, adoecemos. Quer queiramos ou não, somos feitos dos alimentos que consumimos. Quer queiramos ou não, podemos alterar todas as outras áreas da nossa vida, mas se não alterarmos a alimentação, não conseguimos sentir-nos realmente saudáveis.

A saúde passa pelo estômago. Aliás, ela começa por aquilo que colocamos dentro da boca. Trata-se de uma visão bastante elementar, mas igualmente verdadeira. Compreender esta simples ideia transforma-nos em seres conscientes e racionais, capazes de controlar as suas acções e comportamentos – alimentares, e não só. E se a comida transforma o nosso corpo e saúde naquilo que eles são, neste caso o tracto gastro-intestinal é o primeiro sistema que entra sempre em contacto com essa comida, transformando os micro e macronutrientes em... corpo. O nosso corpo. Aposto que muito pouca gente pensa nesta magnífica metamorfose, sempre que tem um prato de comida à frente, e é precisamente aí que está o problema. 

O que comemos transforma-se naquilo que nós somos – por dentro e por fora! Assim torna-se claro que a ideia «somos o que somemos» não é uma metáfora, mas sim, uma lei biológica, que funciona da mesma forma para cada um de nós. Quando consumimos alimentos naturais, predominantemente vivos e adequados para a nossa espécie, esta comida é digerida e assimilada adequadamente, sendo posteriormente degradada em elementos a partir dos quais as células se alimentam e regeneram. Quando comemos alimentos de origem animal, refinados, processados e alterados de todas as formas, todos estes processos ficam comprometidos, ocorrendo de uma forma defeituosa. Aí transformamo-nos precisamente naquilo que não queremos – transformamo-nos em doença. Obviamente, existem muitos outros factores que interferem na nossa saúde, mas se pensarmos mesmo bem, vamos ver que eles funcionam ou não, com base naquilo que comemos. Assim, tal como não conseguimos curar-nos ao tomar um comprimido, ou tal como não conseguimos engordar ao respiar apenas ar, não conseguimos alterar a nossa saúde, se não alterarmos a nossa alimentação de forma permanente.

Será que alguém se questiona porque é que os primeiros sintomas desagradáveis que temos ao chegar a este mundo em bebés são precisamente sintomas intestinais? Será que alguém se questiona porque é que os bebés pequenitos têm cólicas ou porque é que reagem frequentemente com diarréia e vómito? Ou então porque é que em adultos hoje em dia cada terceira pessoa já tem gastrite, colite ou úlceras? 

Enquanto se gastam rios de dinheiro para que a ciência descubra a resposta, esta sempre existiu na medicina natural: Porque o tracto gastro-intestinal é o primeiro sistema que entra em contacto com o meio através da comida que lhe fornecemos. Se uma mãe se alimenta de forma claramente inadequada, ainda durante a gravidez e posteriormente através da amamentação ela dá ao seu bebé toxinas e, por vezes, autênticos venenos. A primeira reacção de um organismo vivo é sempre eliminar essas toxinas de alguma forma. Da mesma forma, já em adultos, desenvolvemos gastrites, colites e úlceras sempre e quando continuamos a alimentar-nos de forma inadequada, ignorando as leis naturais. Aí, o nosso corpo continua a fazer exactamente o que faz o corpo de um bebé – tentar eliminar as toxinas e excesso de ácidos.

Hoje bati um recorde triste – no mesmo dia contactei com três pessoas diferentes e cada uma delas tinha um problema do sistema gastrointestinal diferente, nomeadamente: gastrite, colite e úlceras. Mais uma vez confirmo que quanto mais tempo alguém sofre de uma doença, mais começa a identificar-se com ela, chegando até a referir-se carinhosamente a ela como “a minha gastrite”; “a minha colite”, etc. Mas apesar dessa aparente proximidade, vejo que normalmente as pessoas não sabem praticamente nada sobre a origem e causas das suas doenças, em grande parte porque os próprios médicos nunca falam sobre isso e nunca estabelecem a relação com a alimentação ou com outras coisas que qualquer um faz e controla directamente.

Gastrite, colite e úlceras – O que são?
A gastrite é um problema agudo ou, mais frequentemente, crónico, que consiste numa inflamação da mucosa do estômago. Do ponto de vista estatístico, hoje em dia metade das pessoas que habitam este planeta sofre de gastrite.

A úlcera é uma ferida na mucosa do duodeno ou estômago, que se recusa a cicatrizar e periodicamente piora (muitas vezes apenas com stress, nervos e  estados emocionais negativos). Cerca de 10% da população sofre com esse mal ao longo da vida.

A colite e hemorróidas são alterações degenerativas e inflamatórias do cólon e ânus, que tendem para a cronicidade e periodicamente pioram ou melhoram. Praticamente cada segunda pessoa hoje em dia sofre de pelo menos um dos dois problemas, o que é no mínimo chocante.

Tudo isto para dizer que o tracto gastro-intestinal sofre com tanta frequência, que para muita gente o mal-estar como inchaço abdominal, gases, ardência, obstipação, etc. passam a ser vistos como algo normal. Isto só mostra que estamos de tal forma afastados da natureza, que já olhamos para a doença como um estado normal.

Como podemos ultrapassar tudo isto?  
Não faz sentido usar medicação para tratar sintomas como os acima mencionados, para um dia ter que lidar também com cancro – o estádio mais avançado de degeneração dos órgãos.

Tendo em conta a forma como vivemos hoje em dia, torna-se cada vez mais necessário e urgente implementar um sistema de alimentação natural, que deve passar a ser a alimentação do ser humano do século XXI. Ao fazer isso, normalmente conseguimos comprovar que, mudando a nossa alimentação, da gastrite, colite e úlceras não resta nada passadas umas 3 semanas. E quem diz estes três problemas, podia aplicar exactamente a mesma lógica a muitos outros, obtendo os mesmos resultados.

O nosso corpo muitas vezes dá todo o tipo de sinais (dos mais subtis aos mais óbvios) durante anos e por vezes até décadas. Sinais esses que muitas vezes as pessoas ignoram por completo ou suprimem com algum comprimido. Até quando, já preocupadas, vão ao médico para fazer análises, os exames muitas vezes voltam sem alterações significativas e o médico manda as pessoas para casa, deixando-as descansadas que tudo está bem com a sua saúde – mesmo que continuem a existir queixas, corpos quase esféricos, caras avermelhadas, palpitações, dorzinhas com origem desconhecida e sintomas soltos. E eis que apesar disso, as pessoas continuam a viver as mesmas vidas e a comer as mesmas coisas, até ao dia em que realmente apanham o maior susto das suas vidas.

Será que é possível perceber que estamos a ficar doentes, bem antes do nosso médico nos colocar um diagnóstico? E mais importante que isso, será que depois de perceber o que temos existe uma maneira de restaurar a saúde, melhorar a forma e corrigir os problemas?

A resposta da natureza é sempre: sim! Qualquer ser humano possui no seu corpo uma espécie de “sensor” que lhe começa a enviar sinais quando as coisas já estão a ir mal. Não é preciso arranjar esse sensor ou fazer algo para o aperfeiçoar – nascemos com ele e este chama-se sistema emocional regulador.
As nossas sensações, estado de humor e experiências que se repetem mais vezes são o melhor indicador do que está a acontecer dentro de nós. Quando nos sentimos mal, mesmo sem saber exactamente o porquê, isto indica-nos que algo dentro de nós e na nossa vida não está em sintonia connosco. Ainda em bebés somos guiados por esse sistema emocional regulador. Quando o bebé sente dor, frio, fome ou desconforto, ele chora. Depois de crescer, infelizmente devido a vários factores aprendemos a ignorar e a suprimir este sistema que nos regula, começando a funcionar contra ele. Contudo, mesmo assim, sempre que algo nos afasta do funcionamento harmonioso dentro de nós, aparece sempre um sinal. A forma mais simples que este sinal assume é o desconforto – sentimos algo negativo. Quando isto começa a repetir-se sistematicamente e durante um período de tempo prolongado, começamos a lidar com dor. Muitas vezes, até quando as pessoas sentem dor, as análises e exames médicos não descobrem nada. Isto não significa que está tudo bem. Significa simplesmente que a nossa anatomia e fisiologia estão em processo de alteração. E quando elas se alteram significativamente, aí sim, os exames e análises médicos já detectam desvios objectivos e voltam com problemas. Isto já é um estado avançado do problema de saúde – seja ele qual for. Se queremos sair desta situação, precisamos de relembrar como ter acesso ao nosso «sistema de regulação emocional». Isto, porque cada vez que sentimos desconforto, humor negativo, dor, nervos, desespero, tristeza prolongada, ansiedade, stress, falta de energia, etc., mesmo que no momento nada seja detectado, já estamos num estádio inicial da doença.

A sensação de desconforto e a alteração significativa no nosso humor, que se prolongam no tempo, já são sinais de doença.
O pior que podemos fazer numa situação destas é ignorar a forma como nos sentimos e continuar com os bons velhos hábitos porque, “afinal de contas, não estamos a morrer e o médico nem detectou nada”. O pior conselho que alguém nos pode dar numa altura dessas é que não temos nada e que podemos continuar com a nossa vidinha da mesma forma. Acontece que é precisamente a vida que mais cedo ou mais tarde nos vai fazer voltar para trás, precisamente ao momento em que nos desviámos do caminho e da harmonia interna. E a maneira como a vida faz isso é com dores, inflamações e problemas mais sérios que já não sussurram, nem procuram comunicar o nosso estado de forma calma – eles gritam, na esperança de nos fazer ouvir! Não é por acaso que ainda Hipócrates concluiu, de forma brilhante, que todas as doenças sem excepção são originadas numa «fase silenciosa», durante a qual todo o nosso corpo acaba por ficar afectado. Só na segunda fase da doença o problema fica mais localizado, e em função das fraquezas individuais aparece dor ou outro sintoma mais identificável num determinado órgão. O grande cientista A. Zalmanov faz uma comparação interessante, descrevendo a doença como “um drama que acontece em das acções: a primeira parte decorre num silêncio triste e às escuras. Assim que as luzes são ligadas e aparece a dor ou qualquer outro sintoma desagradável, já estamos na segunda parte”. Primeiro adoecemos sempre a nível energético – quando é alterada a nossa frequência vibracional e começamos a vibrar num padrão desorganizado, deixando cada órgão com uma vibração diferente. Isto cria desequilíbrio e gradualmente a doença fica localizada num determinado órgão (por norma o mais fraco). Assim que a situação continua a avançar ainda mais, já saímos do consultório médico com um diagnóstico, passando a viver com a grande ilusão que o nosso problema está localizado apenas nesse órgão, enquanto o resto do corpo está saudável.
Na verdade, a doença acontece sempre no corpo inteiroO problema localizado aparece apenas no órgão mais sobrecarregado no momento. Esta maneira de olhar para o nosso corpo de forma fragmentada é um dos maiores problemas da medicina convencional. Nunca conseguimos curar-nos de forma permanente de seja o que for, se focarmos a nossa atenção em apenas um ou dois órgãos.

Portanto, sempre que sentimos humor negativo, irritabilidade, humor depressivo ou parece que tudo está a ir ao contrário, deixando-nos à beira de um ataque de nervos, está na hora de perceber que estamos a ficar fora do nosso estado equilibrado e harmonioso. Este é um sinal do sistema de regulação emocional. Nesse contexto, o famoso Paul Bragg (que não precisa de introduções) diz que “assim que começamos a sentir-nos em baixo, frustrados, nervosos, ansiosos e deprimidos está na hora de aumentar a nossa actividade física, porque os passeios ou qualquer outra actividade ao ar livre limpam e reorganizam a mente, ajudando-nos a ver os problemas em perspectiva.” Eu acrescento apenas que todo o humor negativo que parece ter vindo para ficar é sempre sinal de toxicidade. A maior prova é que no momento em que reduzimos ou eliminamos essa toxicidade, o humor positivo, a energia e optimismo voltam. Estamos demasiado habituados a olhar para a doença como algo externo; como algo que nos ataca vindo de fora, e que precisa de ser combatido. A doença não é nada externo ou separado de nós – é apenas um processo, tal como a saúde é um processo. A doença – somos nós, mas noutra frequência vibracional e noutro ritmo de metabolismoSe começarmos a combater a doença, estamos a tentar lutar contra nós próprios – o resultado é a auto-destruição.

Vejo diariamente pessoas que lutam contra as bactérias, lutam contra a tosse, contra a inflamação, contra as borbulhas, contra o peso...contra tudo e mais alguma coisa, esquecendo que isso são apenas tentativas do corpo de eliminar o que não precisa de estar dentro e recuperar o seu equilíbrio. A boa notícia é que a doença não é algo estático – ela tem início, meio e fim, e por isso mesmo, é um estado que pode ser alterado. Isto pode ser feito e já se sabe como!
O nosso corpo tem o seu próprio mecanismo de auto-cura. Tudo o que é exigido de nós é não interferir e não dificultar o processo. Se o conseguirmos facilitar – melhor ainda! Muitas vezes as pessoas desejam que os resultados apareçam como por magia. Andaram a comer, a beber e a viver com desequilíbrios durante anos, e desejam recuperar em poucos dias. Simplesmente não acontece desta forma. A verdadeira regeneração é um processo de crescimento: uns tecidos precisam de ser substituídos por outros, novos. O crescimento é algo que exige tempo. Tal como uma criança não cresce e não se transforma em adulto numa semana, nós também não nos curamos de doenças crónicas numa semana. Contudo, o caminho natural é eficaz e funciona, e quanto mais consistentes formos, melhor conseguimos comprovar os resultados. Temos que nos lembrar apenas que quanto mais grave for o estado de saúde inicial de alguém, mais tempo é necessário para a sua recuperação.
Assim, ao fim e ao cabo vemos, mais uma vez, que muita coisa está nas nossas mãos.Tudo está em nós e nós somos tudo. O único sítio onde podemos procurar e encontrar respostas é lá!"

- Excerto do Diário Vitaliza de 30 de Set., 2016




- Batido: 6 bananas, 4 ameixas vermelhas bem maduras, 2 copos de mistura de frutos silvestres congelados, 1 pêra, 1 copo de água – tudo misturado no liquidificador
- Taça de fruta (dividida entre os dois): 1 manga grande e madura (via aérea) + 4 ameixas vermelhas


- Para mim: 3 bananas e 2 pêssegos

- Para o João: Ingredientes: 3 nectarinas e 3 pêssegos


Almoço
Ingredientes (apenas para mim): 2 curgetes médias espiralizadas, 1 cenoura espiralizada, cebolinho + Molho de 1 abacate grande, caril, 1 colher de chá de sementes de mostarda moídas, 1 colher de sopa de linhaça moída, sumo de 1 limão – tudo misturado com a varinha mágica.


19:30h – Jantar (2 pessoas)

- Salada: 1 alface frisada vermelha, ½ alface romana, 1 tomate coração biológico grande, sumo de 1 limão. 

- Sopa: Creme de legumes de batata, cenoura, cebola, espinafre e feijão verde. 

- Prato Vegan: 1kg de batatas (batata normal e batata doce branca), 2 cenouras, 1 beterraba – tudo cortado em cubinhos e cozido ao vapor + 1 molho de espinafres crus grande, que também foi muito ligeiramente cozido ao vapor e adicionado às raízes.

22 julho, 2016

"E como obter proteínas?"


“A vaca não comeu outra vaca para formar a proteína nos seus músculos, que nós chamamos de bifes. A proteína não se formou do ar – a vaca comeu erva.” ~ Dr. Joel Fuhrman
Qualquer crudívoro ou vegano já sentiu o que vou descrever: que as pessoas mal olham para o nosso prato e já estão a perguntar preocupadas: Onde estão as proteínas?! Será que alguém se questiona onde é que a vaca, o porco ou a galinha vão buscar as suas proteínas? Onde é que o cavalo ou alguns macacos, que são 7 vezes mais fortes que o homem, vão buscar a sua poteína? É um pouco preocupante que no ano 2016, com toda a investigação e dados disponíveis, ainda estamos a discutir onde estão as proteínas na alimentação de origem vegetal. Eu olho para o típico prato principal de comida convencional e inevitavelmente fico a pensar: Que percentagem desta proteína será de facto absorvida? O que acontece com o excesso de proteína animal? Onde estão as vitaminas, os minerais, e as enzimas? Onde está a energia vital nesse tipo de comida? Porque é que as pessoas insistem em comer fritos e pratos preparados com gorduras cozinhadas, que dificultam ainda mais a digestão e criam inúmeros problemas de gorduras localizadas, de peso e saúde?

A alimentação crudivegana ou vegana equilibrada e implementada de forma adequada contém tudo o que necessitamos e sabe maravilhosamente. Nada como experimentar e comprovar sozinhos que «comer para viver» traz uma qualidade de vida muito diferente! 

12 abril, 2016

É difícil ser vegano?





























Podemos ter mais ou menos alimentos crus, mais ou menos gorduras, mais ou menos proteínas, mas a base é esta: fruta, vegetais, frutos secos, sementes e, para quem quiser, alimentos integrais cozinhados. Tudo se resume a isso. Onde está a real dificuldade?
Todos os dias entro em contacto com alguém que, mal se senta na cadeira à minha frente, começa a explicar-me e a justificar como é difícil fazer sumos, batidos e saladas – o tempo que se gasta na lavagem da fruta e vegetais; na lavagem da máquina; na preparação de comida para levar; no esforço mental para pensar em receitas e combinações; no tempo para cortar; no tempo para mastigar....a lista de queixas não tem fim. Eu sei isso tudo – já passei por aí, vejo pessoas a passar por aí todos os dias e é algo que tenho feito e vivido activamente nos últimos 6-7 anos. Muito há para dizer sobre estas dificuldades, mas tudo se resume ao seguinte: Nem toda a gente está preparada para o estilo de vida vegan, e muito menos para o crudívoro. Ter uma alimentação saudável não é e nunca deve ser visto como uma obrigação, um peso e algo que nos vemos “forçados” a fazer para alcançar um determinado resultado. Se olharmos para isto desta forma, nunca vamos chegar onde pretendemos chegar e este estilo de vida será para sempre um fardo. Se partimos para um desafio diário com uma atitude de “que aborrecido ter que fazer isto agora...é difícil...nunca vou conseguir manter algo assim a longo prazo...só perco tempo, não consigo encaixar isto na minha vida”, dificilmente vamos ter sucesso. É válido na alimentação e em tudo na vida. A atitude e a forma como olhamos e lidamos com as dificuldades é o que muitas vezes determina se vamos ou não ter sucesso no fim. 
Ter um estilo de vida saudável é algo que escolhemos fazer porque gostamos de nós e porque acreditamos que merecemos o melhor – como tal, optamos por tratar do nosso corpo com respeito e da maneira que o vai fazer beneficiar mais. Se olharmos para a mudança alimentar como um fardo e um inconveniente que veio para nos infernizar a vida e tornar tudo muito mais difícil, posso garantir que a mudança será isso mesmo e teremos todas as evidências para provar como ser vegan ou ser crudívoro não funciona e não é sustentável a longo prazo. Se, em vez disso, olharmos para a transição como se olha para um desafio e pensarmos “cá está mais uma coisa que vou fazer para me ajudar a melhorar”, vamos encarar as dificuldades de forma completamente diferente. Claro que mudar exige algum esforço da nossa parte, principalmente no início, enquanto tudo é novo e ainda precisamos de nos orientar melhor. Claro que exige algum planeamento prévio para garantir que temos sempre comida boa em casa. Claro que qualquer pessoa prefere ficar 10 min mais na cama, em vez de os usar para preparar o almoço para levar...Mas esse tempo não é gasto na mesma na preparação de comida convencional? As pessoas não preparam na mesma 3 refeições por dia (gastando, por sinal, bem mais tempo na preparação de comida convencional)? Então porque é que ser vegano "e difícil" e ter alimentação tradicional não custa? Tudo depende de como olhamos para as coisas. E a verdade é esta...As melhores coisas na vida exigem algum esforço e alguns sacrifícios, mas quando tudo isto é feito com motivação, fé e vontade, os resultados não tardam em aparecer e todo o esforço é recompensado. Aí de repente aprendemos a organizar-nos e começamos a pensar de forma totalmente diferente:
- “Afinal o que são mais 10min ou menos 10min na cama? Se este é o tempo que preciso para garantir que vou ter um almoço nutritivo fora de casa, vale a pena o esforço!”
- “Se de manhã me custa assim tanto lavar fruta e vegetais, nada como usar ingredientes que não é preciso lavar: várias bananas, 1 copo de frutos silvestres congelados, água – batido pronto em menos de 20 segundos. Se não tenho tempo de passar o liquidificador por água, paciência, passo por água ao voltar para casa”.
- “Se custa assim tanto preparar sumos porque não tenho tempo, em vez de desistir dos sumos totalmente, passo a fazer menos vezes e vou prepará-los quando tenho mais tempo – à noite ou no fim de semana”.
- “Se a pausa para o almoço é curta e não tenho tempo para mastigar uma salada grande, então nessa altura bebo um batido OU como algo cozinhado de origem vegetal com 1 mão de folhas de espinafre, e reservo a salada para o jantar”.

Há sempre maneira de contornar as dificuldades. Basta querer. Este é o único critério universal para garantir o sucesso neste estilo de vida. Querer conseguir algo realmente move montanhas. E para garantir que vamos manter esta motivação inabalável a longo prazo, só precisamos de duas coisas: 1) gostar de nós o suficiente para querer alimentar-nos sempre da melhor forma possível (sei que as pessoas demoram uns anos para perceber esta ideia na totalidade); 2) ter fé neste estilo de vida e acreditar que esta é a melhor forma de manter o equilíbrio físico, emocional e mental. Quando acreditamos verdadeiramente nestas duas coisas, dificilmente surge algo para nos fazer mudar de ideias e desviar do que escolhemos.

Convidamos a todos a experimentar o poder transformador da comida real no corpo, mente e coração!

Excerto do Diário Vitaliza de 5 de Abril, 2016 
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